Surpreenda-se com a história, a neblina e as lendas dessa antiga vila inglesa bem pertinho de São Paulo
Aspectos históricos relevantes:
A Vila Ferroviária de Paranapiacaba é um distrito da cidade de Santo André, localizada no ABC paulista, a cerca de 44 km da capital paulista.
A antiga vila inglesa teve início no século XIX, por volta de 1867, como centro de controle operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway, que transportava cargas de Santos a Jundiaí e vice-versa. O fator preponderante para a construção da ferrovia Santos-Jundiaí foi a expansão do café, à época, tendo sido criada para o escoamento da mercadoria do interior ao porto de Santos.
O nome da Vila, então denominada Estação Alto da Serra, foi trocado para Paranapiacaba em 1907. A palavra tupi-guarani significa “Lugar de onde se vê o mar”, pois em dias ensolarados os índios, que por ali passavam, podiam enxergar o mar.
A partir da década de 40, com o fim da concessão da São Paulo Railway Co., o lugar passou por um processo de decadência, até que em 2002 a vila foi comprada pela Prefeitura de Santo André, e iniciou-se um processo de resgate do local, por meio do turismo.
Paranapiacaba é formada por duas partes, completamente distintas: a Parte Alta, de estilo português; e a Parte Baixa, de estilo inglês. A Parte Baixa, ou Vila Martin Smith, é formada por casas de madeira, pré-fabricadas, em estilo inglês. Lá moravam os trabalhadores contratados pelos ingleses para a construção da ferrovia que acabaram se tornando ferroviários. A maioria das construções é feita em pinho de riga, madeira nobre originária do Leste Europeu.
Já a Parte Alta, ou Morro, se destaca pelas construções de estilo português, com fachada única, rente à rua. Lá viveram os portugueses que, durante a construção da ferrovia, mudaram-se para a Vila em busca de novos mercados. A Parte Alta abrigava, também, os trabalhadores menos favorecidos e, posteriormente, passou a abrigar os aposentados da ferrovia.
Curiosidade: quando a Vila Ferroviária teve início, a vida obedecia a uma rígida estratificação social: na base da pirâmide estavam os operários (em sua maioria espanhóis e italianos); logo acima desses, os comerciantes portugueses; no alto da pirâmide, os médicos e engenheiros ingleses e, acima de todos, o engenheiro-chefe. Segundo relata a pesquisadora Cláudia Regina Plens, em seu livro “A arqueologia da São Paulo Oitocentista: Paranapiacaba”, a posição estratégica da então casa do engenheiro-chefe (O “Castelinho”, bem no alto da Vila) representa o sistema panóptico, descrito por Foucault em seu livro “Vigiar e Punir: nascimento da prisão”. A pesquisadora conta que, à época, havia regras estritas não apenas em relação ao trabalho, mas também em relação ao lazer. Os operários podiam transitar pelas ruas apenas até determinada hora. Esse ordenamento rígido tinha por objetivo extrair dos operários a máxima produtividade e manter a vila e a ferrovia funcionando com a regularidade dos ponteiros de um relógio.
Fonte: https://agencia.fapesp.br/paranapiacaba-vila-operaria-em-tempo-de-escravidao/25152/
Como chegar em Paranapiacaba:
Para um bate e volta, partindo de São Paulo/SP, você pode optar por ir de carro/moto; de transporte público ou com o Expresso Turístico da CPTM.
De carro/moto: Pela via Anchieta, siga até o KM 29, no Riacho Grande e pegue a Rodovia Caminhos do Mar. Pela Caminhos do Mar (haverá placa indicando Paranapiacaba) prossiga até o km 33 (Altura da Estância Alto da Serra). Em frente à Estância Alto da Serra, inicia-se a Rodovia Índio Tibiriçá. Prossiga por ela até o km 45 e saia dela à esquerda (Rotatória antes da Ponte Seca). Mantenha-se à direita no sentido Rio Grande da Serra, pela Rodovia Dep. Adib Chamas – SP 122. Siga sempre em frente, até o Final da Rodovia na Parte Alta da Vila de Paranapiacaba, onde há estacionamento gratuito.
De transporte público: Vá até alguma estação de metrô da CPTM e pegue a linha 3 – Vermelha no sentido Corinthians-Itaquera. Desça na Estação Brás. Na Estação Brás, embarque com destino à Estação Rio Grande da Serra – linha 10 – Turquesa. Ao chegar, atravesse os trilhos, siga à direita, por aproximadamente 50 metros, até o ponto final do ônibus Paranapiacaba – 424. Após o embarque, desça no Ponto Final, que fica na Parte Alta de Paranapiacaba.
Trem Expresso Turístico CPTM: O trajeto é realizado aos domingos. O passageiro tem a opção de embarcar às 8h30 na Estação da Luz ou às 9h00 na Estação Prefeito Celso Daniel-Santo André (Linha 10-Turquesa, da CPTM). O retorno ocorre às 16h30 em Paranapiacaba, com parada na Estação Prefeito Celso Daniel-Santo André. O percurso de 48 Km leva 1h30 e é realizado ao longo da atual Linha 10-Turquesa. O bilhete da CPTM contempla exclusivamente a viagem de ida e volta e o preço unitário da passagem é de R$ 50,00 (ida e volta). É vendido das 9h às 18h, todos os dias, nas bilheterias das estações da Luz e Prefeito Celso Daniel-Santo André, mas é recomendável que se compre com antecedência, para garantir seu bilhete.
O que fazer: principais atrativos turísticos
- Cemitério: pode parecer estranho elencar um cemitério como atrativo turístico de um destino, mas é isso mesmo: em Paranapiacaba, o cemitério deve ser incluído na lista de lugares a serem visitados, devido à história que carrega. O Cemitério Bom Jesus de Paranapiacaba foi fundado em julho de 1900. Foi construído pelos ingleses, que na época construíam e trabalhavam na estrada de ferro. Na época, ocorreu uma epidemia muito forte que levou a óbito centenas destes operários, que estando longe de seus lares, foram ali sepultados.
O cemitério foi tombado como patrimônio histórico pelo Município, pois seus jazigos são, em sua grande maioria, construções bastante antigas datadas daquela época.

Curiosidades:
– para viabilizar a construção do cemitério, era preciso que o bispo de São Paulo autorizasse, só que para isso ele fez uma exigência: que só católicos fossem sepultados ali. Aos ingleses, protestantes, coube serem enterrados na cidade de São Paulo, por exemplo.
– quando o túmulo apresentava duas cruzes, era sinal de que funcionários da ferrovia haviam morrido no mesmo acidente, então a companhia prestava sua homenagem.
Endereço: Rodovia Dep. Antônio Adib Chammas, 5 – Parte Alta.
Horário de Funcionamento: De 3ª a 6ª.-feira, das 9:00 às 16:00 e Sábado e Domingo, das 9:00 às 17:00. Exceto Feriados.
Entrada: Gratuita
- Igreja do Bom Jesus de Paranapiacaba:

A igreja de Paranapiacaba era originalmente denominada capela do Alto da Serra e teve sua pedra fundamental lançada em 3 de fevereiro de 1884. A notícia foi publicada no jornal A Província de São Paulo, edição de 15 de fevereiro de 1884, quando fiéis se reuniram e elegeram uma comissão para erigir a capela, que virou igreja.
Recebeu licença para celebração de missas, pela primeira vez, em 8 de agosto de 1884.
A igreja é dedicada e tem como padroeiro o Senhor Bom Jesus. Com a criação da paróquia de Ribeirão Pires, em 1911, a igreja Senhor Bom Jesus do Alto da Serra passou a ser ligada a ela e hoje integra a paróquia de São Sebastião de Rio Grande da Serra.
Endereço: Rua Rodrigues Quaresma, s/nº. – Parte Alta.
Horário de Funcionamento:
De 3ª a 6ª.-feira, das 9:00 às 16:00 e Sábado e Domingo, das 9:00 às 17:00. Exceto Feriados.
Entrada: Gratuita.
- Passarela Metálica:

Construída em 1899 sobre o corredor ferroviário de Paranapiacaba, a passarela de madeira e estrutura metálica liga os dois lados da vila: parte alta e parte baixa. Foi construída para a travessia de pedestres, a fim de evitar a circulação de pessoas pela ferrovia.
Endereço: fica na entrada da cidade, na Rua Direita, logo após pela igreja e cemitério.
- Torre do Relógio:
Construído nos moldes do Big Ben de Londres, o relógio é o símbolo da vila. O relógio e a torre têm histórias diferentes. O relógio data de meados de 1898, quando foi construída uma nova estação de madeira em Paranapiacaba. Naquela época, a torre do relógio existente era bem menor e colada à estação.
Em 1977 a estação de madeira foi desativada e a torre foi reconstruída em um novo lugar, desta vez mais alta. Para esta nova torre foram transportados o relógio, da marca inglesa John Walker, todos os mecanismos e os gradis metálicos.
– O relógio foi construído para regular os horários de saída dos trens e para que os operários não perdessem o horário de trabalho.
– Foi importado pelos ingleses junto com outros dois relógios bem conhecidos pelos paulistas: o da Estação da Luz, em São Paulo, e o da Estação Ferroviária de Santos.
– Um incêndio ocorrido no começo da década de 80 danificou a torre e o relógio, que, foram, posteriormente, restaurados, em 2003 e 2019.
- 5) Pau da Missa:

Um dos marcos da Parte Baixa de Paranapiacaba, o Pau-da-missa consistiu em um exemplar de eucalipto centenário onde eram afixadas mensagens dos moradores locais, tais como notícias das missas, casamentos, batizados, óbitos, missas de sétimo dia.
Era uma espécie de “Quadro de avisos”.
O Pau-da-missa tem uma importância histórica para os moradores: por sua origem inglesa, a Parte Baixa contava somente com uma igreja Protestante. Assim, era por meio da árvore que os moradores se inteiravam de notícias vindas da Igreja do Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba, localizada na parte alta da vila.
Em 2013, a árvore passou por uma poda drástica, como medida de segurança, tendo restado apenas o tronco, ao lado da placa.
Curiosidade: foi feito um documentário sobre o Pau da Missa – “Pau da Missa – Vila histórica de Paranapiacaba”, com a intenção de “compor um imaginário popular em torno deste personagem: Pau da Missa, que faz parte da própria história e memória da vila”, segundo relata o diretor, Alex Moletta.
No documentário, tem uma entrevista com Dona Francisca, antiga moradora da vila e poetisa, em que ela diz que sempre “pedia ao Pau da Missa um maquinista alto e bonitão”, mas ele só arrumava “Zé Mané” para ela…então, com a poda, ela dizia estar triste, mas também que era a vingança dela…”ele só me deu Zé Mané, agora vão cortar ele pelo pé”. Esse relato da dona Francisca (já falecida) demonstra bem esse imaginário dos moradores em relação à árvore centenária.
- Casa Fox:
Também chamada de “Casa da família ferroviária” ou “Casa da memória”, trata-se de um conjunto de duas casas geminadas, que foram recuperadas e mobiliadas para que os visitantes, possam vivenciar como moravam as famílias da Vila, na década de 30. Móveis, utensílios e fotos criam uma atmosfera de volta ao passado.
*O nome dado à casa é uma homenagem ao Engenheiro inglês, Daniel Mackinson Fox. Ele veio ao Brasil em 1856, para realizar os estudos para a construção da ferrovia.
*A Casa Fox revela curiosidades sobre a arquitetura do séc. 19: paredes duplas, porão em pedra e tijolos, forros de treliça na cozinha para escoar a fumaça dos fogões a lenha.

Endereço: Av. Fox, s/nº. – Parte Baixa
Horário de Funcionamento: Sábados, Domingos e Feriados: das 10:00 às 16:00. De 3ª a 6ª.-feira: somente grupo pré-agendado.
As visitas são feitas por monitores locais e a entrada custa R$3,00 (três reais).
- Clube União Lyra Serrano:
Foi erguido na década de 1930, para ser um espaço de lazer aos trabalhadores da ferrovia, e é até hoje espaço de importantes eventos da Vila, como o Festival de Inverno. Possui salões para cinema e bailes e jogos diversos, além de uma biblioteca e de um campo de futebol.
Esse clube é a união da Sociedade Recreativa Lira da Serra e do Serrano Atlético Clube os dois incentivados pela São Paulo Railway.
O edifício em madeira (town hall), é coberto por telhas francesas.
Curiosidade: Contam os antigos que os jogadores locais, nas partidas contra visitantes, eram grandemente beneficiados pela neblina que se formava sobre o campo, por terem desenvolvido uma espécie de sexto-sentido baseado na audição.
Endereço: Av. Anthonio Olyntho, s/nº. – Parte Baixa.
Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira das 9h às 16h
Aos Sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h.
Entrada: gratuita.
- Museu Castelinho:
É a principal construção arquitetônica da parte baixa da Vila. Foi construído em 1897 sobre uma elevação natural, em ponto estratégico do qual visualiza-se toda a Vila, incluindo o pátio ferroviário.
Era a residência do engenheiro-chefe e representa a escala maior, que isolava o engenheiro-chefe do restante dos moradores, além de criar a possibilidade da fiscalização. De lá, ele podia ver tudo o que se passava e vigiar os trabalhadores.
Atualmente abriga peças da ferrovia e a memória social da vila.
O Museu apresenta uma exposição permanente com acervo da casa do engenheiro-chefe da empresa SPR – São Paulo Railway Co. (mobiliário, quadros, relógios, etc.), uma maquete física de toda a Vila, cinco tótens instalados no piso superior com fotos da vista das janelas do Museu Castelo, aproveitando a posição estratégica da construção, e possui também banners distribuídos por todas as salas que contam a história da implantação da Vila Ferroviária.
Endereço: Caminho do Mens, s/nº. – Parte Baixa
Horário de Funcionamento: Sábados, Domingos e Feriados: das 10:00 às 16:00. De 3ª a 6ª.-feira: somente grupo pré-agendado.
Entrada: R$ 10,00 – Visita Monitorada.
- Museu ferroviário (ou Museu Tecnológico Funicular):
Abriga vagões, máquinas e objetos utilizados para manutenção de trens, e tenta contar um pouco da história da ferrovia na região.
No museu, é possível ver como funcionavam o sistema de tração, as máquinas, Maria-Fumaça e outras peças ferroviárias.
É possível, também, visitar a Casa das Máquinas que puxavam os trens pela Serra.
Curiosidade: no museu há um vagão funerário (ou carro fúnebre) – um vagão de madeira que foi reformado, dividindo sua área interna em duas partes, sendo uma para o transporte dos familiares do morto, e a outra parte para transportar o caixão com o corpo do falecido sobre uma mesa. Esse serviço foi muito utilizado na época, o qual chegou a transportar inúmeros cadáveres no trecho entre Santos e São Paulo. Com o passar do tempo, o sistema rodoviário foi se aprimorando, permitindo que o transporte de corpos fosse, então, realizado através das rodovias.
Conta-se que fatos estranhos ocorreram no interior do vagão funerário, durante as visitas.
Há um relato, por exemplo, de que no ano de 1992, quando participava de uma visita no interior do Vagão Funerário, um rapaz morreu de ataque cardíaco. Além desse, outros acidentes já ocorreram dentro do Vagão Funerário, fazendo com que atualmente seja proibida a entrada de visitantes em seu interior.
Segundos relatos de pessoas que visitaram o Vagão Funerário na época em que se podia efetuar visitas internas, é que “sombras” e “vultos” já foram registrados em fotografias realizadas.
Fonte: http://www.alemdaimaginacao.com/Noticias/o_vagao_funerario_de_paranapiacaba.html
Endereço: Pátio Ferroviário, s/nº. Acesso pela Passarela de Paranapiacaba.
Horário de Funcionamento: sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 16h00.
Entrada: Ingresso R$ 10,00 (inteira); R$ 5,00 (meia). Crianças menores de 5 anos e pessoas acima de 60 anos não pagam.
- Mercado Popular:
Erguido em 1899 pela São Paulo Railway, foi local de abastecimento de secos e molhados dos antigos ferroviários. Mais tarde também se tornou uma lanchonete e recentemente a construção foi restaurada, tornando-se um centro cultural.
Atualmente abriga o Festival do Cambuci, que ocorre no mês de abril.
Endereço: Av. Campo Salles, 462 – Parte Baixa
Horário de Funcionamento:
De 6ª.-feira a Domingo, das 9:00 às 18:00. Exceto Feriados, horários especiais.
Entrada: Gratuita.
- Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba:
Criado em 2003, é uma Unidade de Conservação (UC) Municipal, de proteção integral, com uma área total de 400 hectares e conserva um importante remanescente de Mata Atlântica no entorno da vila. É integrante da área tombada como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que engloba, ainda, mais duas UCs, a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Estadual da Serra do Mar.
O parque possui potencial para atividades como esportes na natureza, caminhadas em trilhas, estudo de meio, interpretação, recreação e educação ambiental. Atualmente, possui 5 trilhas abertas a visitação: Trilha das Hortênsias, Trilha dos Gravatás, Trilha da Pontinha, Trilha do Mirante e Trilha da Comunidade, e dois Núcleos de Interpretação Ambiental: Olho D’Água e Tanque do Gustavo.
Curiosidades: As águas do Parque chegam à Represa Billings. Além disso, o Parque abriga várias espécies ameaçadas de extinção, dentre elas, uma se destaca em especial: a borboleta-palha (Actinote zikani).
Endereço: Rua Direita, 371 – Parte Baixa (Centro de Visitantes do Parque).
Horário de Funcionamento: De 3ª. à 6ª.- feira, das 8:30 às 15:30. Sábados, Domingos e feriados, das 8:00 às 16:45.
Entrada somente com monitor.
Preço médio dos ingressos: R$20,00
ATENÇÃO: todos esses atrativos turísticos podem ser vistos em um único dia, para ser bem aproveitado o bate e volta à Vila. Quando estive por lá, passei por todos eles, com exceção do Museu Ferroviário, que estava fechado.
Devido à neblina, também não conseguimos avistar a Torre do Relógio, que estava totalmente encoberta.
A neblina:
Devido à sua altitude (entre 750 e 900 metros) e clima (tropical úmido), Paranapiacaba é conhecida por sua neblina constante. Todos os dias, a vila é envolvida por uma densa neblina, que sorrateiramente sobe a Serra do Mar e invade o local.
Chega a ser curioso, para não dizer misterioso…
Quando visitei a Vila, no mês de setembro passado (2021) ao chegar lá, estava fazendo sol. Um dia lindo e ensolarado, de céu azul e nuvens brancas. De repente, eu e o grupo com o qual eu estava, percebemos uma ligeira névoa se deslocando logo abaixo do local onde estávamos, pela lateral do morro da Igreja. Era a famosa neblina, dando as boas-vindas!
Um pouco depois, ao visitarmos o cemitério, que fica ao lado da Igreja, dava para ver a espessa camada de neblina que sobrevoava os túmulos e, “do nada”, começou até a esfriar um pouquinho. Foi um tanto quanto sinistro!
Existe, inclusive, uma lenda que explica a origem da neblina em Paranapiacaba. É a lenda do véu da noiva, segundo a qual a neblina característica da Vila teve origem com a história de uma noiva, filha de um operário da ferrovia, que foi deixada no altar pelo noivo, filho do engenheiro-chefe, na hora do casamento. No entanto, conta-se que o rapaz não compareceu pois foi trancado pelo raivoso pai da noiva no porão da residência. Desesperada e sentindo-se abandonada, ela saiu correndo pela Vila e se atirou de um dos viadutos da ferrovia. Desde então, conforme a lenda, à tarde, a neblina, que representaria o véu da noiva, cobre a Vila.
Sinistro, né?!
E por falar em lenda, Paranapiacaba está recheada delas.
Principais lendas de Paranapiacaba:
- Lenda do Pau da Missa: diz a lenda que se alguém bater três vezes à meia-noite nesta árvore verá o espectro da pessoa que morreu cujo nome está anunciado no Pau da Missa.
- Lenda do Jack, o Estripador: diz a lenda em Paranapiacaba que um médico teria cometido os crimes do Estripador e fugido para uma vila ferroviária construída pelos ingleses na América do Sul. Na época, Paranapiacaba era a única opção.
- Lenda do espectro: som de passos, madeira rangendo e ruídos de louça precedem a aparição de um espectro, alto, no Castelinho. Segundo a lenda, seria o fantasma do engenheiro-chefe, Daniel Fox.
- Lenda da Dama no Lyra: no passado, o Clube União Lira Serrano foi palco de bailes e recepções a barões do café que paravam em Paranapiacaba quando viajavam do interior de São Paulo para Santos. Com o fim dos grandes bailes, vigias noturnos teriam visto uma mulher (a tal dama) dançando sozinha no salão vazio – com as portas do clube trancadas – enquanto a pintura de uma distinta senhora pendurada na parede do clube desaparecia. Ao fim da dança, quando a dama sumia, o quadro voltava ao normal.
- Lenda do Trem fantasma: na serra, entre o quarto e o quinto patamar da ferrovia, seria possível ouvir à noite ruídos de locomotivas e gritos das pessoas que morreram em acidentes durante a construção do sistema funicular. Diz a lenda que à noite também é possível ouvir o som de uma locomotiva cuja caldeira explodiu, além da sensação de deslocamento do ar por causa da passagem da composição no 13º túnel do trajeto.
Fontes: https://www.abcdoabc.com.br/santo-andre/noticia/apresentacao-lenda-urbana-paranapiacaba-21004
https://www.dgabc.com.br/Noticia/110862/historias-apavorantes-de-paranapiacaba
Outras Curiosidades sobre Paranapiacaba:
– Cambuci: O cambuci é um fruto silvestre comestível, com formato que lembra um disco voador. Já foi abundante em todo o estado de São Paulo, porém, atualmente, ele é encontrado com dificuldade, e em áreas restritas da floresta nativa. Sua colheita acontece entre os meses de março e abril. O hábito de consumir o cambuci na Vila de Paranapiacaba existe desde a época em que o local era habitado apenas por ferroviários.
Na Vila, você vai encontrar diversos produtos feitos com o Cambuci, desde geleias, a cerveja, bolachinhas e sorvete. Não deixe de provar o sorvete de Cambuci! Ele é vendido no Mercado Popular e em estabelecimentos ao longo da vila. Achei bem gostoso, com sabor que lembra torta/mousse de limão.
O Cambuci é tão famoso em Paranapiacaba que virou manifestação cultural: o Festival do Cambuci, que ocorre todo mês de abril, com delícias preparadas com o fruto.
– Silent Hill: Paranapiacaba já foi nomeada de “Silent Hill brasileira” (em referência à série que marcou o mundo dos games com o terror psicológico) e seu clima misterioso e sombrio já serviu de cenário ao evento “Cidade do Terror”, com o trabalho da mesma equipe da produção das famosas “Noites do Terror do Play Center, em São Paulo, capital.
– Convenção de Magos e Bruxas: é um evento que ocorre todo mês de maio, organizado pela Universidade Livre Holística Casa de Bruxa. O evento é aberto a todas as manifestações culturais e de conhecimentos esotéricos e integra o calendário de atividades da vila de Paranapiacaba. Trata-se de um dos maiores eventos do gênero em âmbito nacional. A proposta é divulgar informações sobre energia, natureza humana, processos e técnicas terapêuticas, questões sobre metafísica, entre outras abordagens.
Quer lugar melhor para uma Convenção de Magos e Bruxas do que a neblinosa e misteriosa Paranapiacaba?!
- Dica de local para o almoço: os responsáveis pelo grupo pedagógico com o qual visitei Paranapiacaba escolheram o Restaurante Vila Inglesa para a nossa parada para o almoço.
Achei uma excelente escolha: comida caseira, bem feitinha, saborosa e com opções variadas.
Custo: R$30,00 por pessoa, em esquema de buffet à vontade. Bebidas à parte. Aceitam pagamento em dinheiro ou cartão.
Restaurante Vila Inglesa: Av. Fox, 438 – Paranapiacaba.






















